O ministro da Defesa de Kobane: Todo mundo precisa apoiar a resistência

İsmet Şêx Hesen, ministro da Auto-Defesa do Cantão de Kobane, falou com Ersin Çaksu e İbrahim Aslan em uma nova entrevista para a ANF, que também apareceu em Özgür Gündem. Na entrevista, Hesen discute o destino dos combates ao redor de Kobane que atualmente chega ao seu terceiro mês e a condição do cantão de forma mais geral.

O ministro começou por ressaltar que Kobane só não foi atacada por dois meses, mas enfrentou contra-ataques e ficou sob embargo por muito mais tempo, afirmando que “a batalha de Kobane está acontecendo há cerca de um ano e seis meses. Antes eram principalmente grupos como a frente El-Nusra e Ahrar-i farsa e outros que estavam no ataque contra Kobane. Kobane foi cercada por um ano e meio. Kobane fora privada de suas necessidades básicas, como água, eletricidade e comércio. A batalha que hoje está chegando ao seu terceiro mês, é parte desta história. Eu não olho para os ataques ao Cantão de Kobane como uma batalha com EI. Olhamos para o EI como um agente de uma parceria internacional. Este agente possui parceiros em diversas partes do mundo. Ele tem parceiros no Afeganistão, na China, na Arábia Saudita, no Sudão, na Turquia e em muitos outros lugares. Vários Estados diferentes têm a sua participação neste grupo. Por exemplo, eles receberam muito apoio de regiões como do regime Baath e da Turquia. Foi a partir daí que eles tiveram a coragem de atacar Kobane.”

O importante é que resistimos com recursos limitados

Hesen ressaltou que, embora os defensores de Kobane tenham resistido por dois meses e sofreram perdas, o EI foi incapaz de capturar a cidade, dizendo: “Eles não poderiam tomar Kobane como foram capazes de tomar outros lugares. E isso é por causa da resistência do YPG/YPJ e o valor de seus mártires da liberdade. Por exemplo, eles capturaram muitos lugares na Síria, como Rakka, Minbic, Bab e Dera Zor dentro de dias e até mesmo dentro de algumas horas. Eles disseram que com os nossos tanques e com a nossa artilharia, iremos capturar Kobane da mesma forma. Ao atacar Kobane com todas as armas que eles tinham capturado em Rakka, Mosul e da Divisão 17, eles estavam ameaçando todo o Curdistão por ameaçar Kobane. Mas a sua chegada em Kobane se transformou em seu cemitério. No ano passado, eles também afirmaram ‘nós estamos indo para Kobane para realizar nossas orações do Eid lá.’ Mas eles não puderam fazê-lo e não podem fazê-lo agora. Os combatentes do YPG/YPJ resistiram com seus meios limitados e suas armas de pequeno porte por um ano e meio. Porque estamos cercados por todos os lados, nós não podemos obter armas de fora da região. Nós resistimos contra os seus tanques e artilharia com as nossas próprias armas pequenas. Nós provamos ao mundo inteiro como iremos resistir contra tanques e a artilharia com os nossos próprios fuzis Kalashnikov. A verdade é que isso se tornou uma resistência histórica. Pode haver uma guerra contra o mal e o terror ao redor do mundo, mas o importante é a nossa resistência mesmo através de limitados meios. Esta é talvez a primeira vez que na Síria uma organização com armamento pesado foi derrotado por uma organização com apenas pequenas armas. O mundo viu isso e também comentou sobre o ocorrido.”

A Fundação foi colocada para uma Força de Defesa Nacional

Hesen passou a dizer que Kobane deu um importante exemplo de unidade curda e que a fundação tinha sido criada para a formação de uma força de defesa nacional, afirmando que “outra coisa, claro, é que agora todo mundo precisa ver e reconhecer os curdos. Mas não da forma como costumam olhar e reconhecer os curdos. Não se deve reconhecer os curdos como inimigos dos curdos que nos cercam e sim fazê-los nos reconhecerem. Porque eles apresentaram os curdos para o mundo como terroristas. Mas na resistência em Kobane, os curdos mostraram ao mundo todo, que fundamentalmente lutou contra o terror e que quis se livrar do mesmo. São os curdos que realizam a verdadeira luta contra o terrorismo. São os curdos que estão defendendo a democracia e a igualdade. É necessário ver como o YPG/YPJ, com a sua pequena força, parou o EI que até então ninguém tinha conseguido parar. É necessário ver como a vontade dos povos está por trás dessa luta.”

A chegada do Peshmerga foi um passo importante para a unidade curda

O ministro também comentou sobre a chegada das forças do Peshmerga em Kobane na sequência do acordo de Duhok realizado no mês passado. Hesen salientou que era a primeira vez em que duas forças curdas chegaram juntas  para uma luta comum, dizendo que “isso é algo digno de respeito. É algo importante. Foi um impulso significativo para a moral que chegou aqui pelo caminho ao Sul do Curdistão. Era algo que tocou nas cordas do coração dos curdos, indo contra todos aqueles que disseram que os curdos não poderiam se unir. Foi bom para a moral. Foi um passo importante para a unidade curda. Porque eles costumavam enfrentar o massacre e a destruição. No momento do Şêx Seîd, Seyid Rıza, Qazi Mihemed ve Halabja, os curdos enfrentaram massacres e genocídio. Por essa razão, sempre houve um desejo pela unidade curda. Como um povo sempre desejou estar unificado, mas não como um partido ou uma organização. Por este fato, é importante tanto espiritualmente quanto para a formação de uma base de unidade que o Peshmerga esteja aqui.”

Nossos inimigos não nos permitiram nos reconhecermos

Hesen também meniconou o apoio da Turquia dado às gangues do EI, ao afirmar que “temos protegido as fronteiras de Rojava há três anos. Ninguém ao longo da fronteira de Efrin para Endiwar tem se exposto tanto quanto as nossas forças. Não disparamos um único tiro na Turquia. Porque olhamos para a Turquia como um vizinho. Dissemos que o EI é algo que veio e passará, mas o povo de Rojava permanecerá. E nós mostramos com a nossa resistência que nós é que vamos ficar nessas terras. Todo mundo viu o quanto a Turquia apoiou o EI. Se eles voltarem atrás com esses cálculos ruins, eles irão reconhecer os curdos melhor. Até hoje muitos de nossos vizinhos definiram os curdos, da mesma forma que o EI definiu os curdos. Nossos inimigos não permitiram que os povos aqui reconhecessem uns aos outro. Se eram os turcos, os árabes ou persas que não poderia aos outros. Nossa resistência durante dois meses tem mostrado a todo o mundo, quem são os curdos. Kobane é agora o castelo de resistência nas quatro partes do Curdistão. Deixe que todos saibam que a vontade dos povos está acima de tudo. Quando as pessoas se levantam com a sua própria vontade, em seguida, nem tanques, nem artilharia, nem aviões, nem nenhuma forma de força pode destruir essa vontade.”

O Estado Islâmico é uma ameaça para o mundo todo

Hesen também ressaltou que o EI era um problema de todos, ao dizer que “de modo que o EI é uma ameaça clara para todos, faz-se necessário lutar contra ela. Todo mundo precisa contribuir na luta contra esta organização que não reconhece nem a moralidade, nem fronteiras, nem humanidade. A partir desta perspectiva, encontramos as justificativas para os ataques aéreos realizados. Como Kobane estava mostrando tamanha resistência, a provisão de tal apoio era o desejado. O apoio fornecido foi a escolha certa.”

Podemos afirmar que milhares de pessoas morreram

Acerca da questão do número de combatentes do EI que foram mortos na luta por Kobane, Hesen disse que não poderia fornecer números exatos, mas que o número é provavelmente na casa dos milhares, dizendo que “há uma diferença entre a forma como eles chegaram e como eles estão agora. Sabemos que milhares de pessoas morreram. Mas antes que eles fizessem isso em Kobane, diferentes fontes e agências de inteligência afirmaram que eles atacavam inicialmente com cerca de 8.000 homens. Se hoje eles ainda possuíssem tamanha força, a violência nos confrontos seria diferente. Podemos dizer que milhares de pessoas morreram. Eles perderam muitos de seus homens aqui. Você também pode ver isso, que há muitos corpos espalhados por toda parte.”

A condição dos civis e a destruição da cidade

Hesen também ressaltou que o EI continuou a ameaçar civis em Kobane, e falou sobre a situação dos civis na cidade, dizendo que “nos últimos dias tem ocorrido ataques contra o nosso povo ao longo da fronteira. Muitas pessoas perderam suas vidas. Crianças perderam suas vidas. Muitos ficaram feridos. Eles ainda estão usando armas pesadas. Enquanto o corredor não for aberto para Kobane é necessário dizer que os civis continuarão a estar ameaçados. Por esse motivo, estamos renovando o nosso chamado. Nossa cidade foi reduzida a ruínas. O público internacional e seus estados precisam ver isso e nos prestar ajuda. Os morteiros, a artilharia, os bombardeios e as explosões causaram muita destruição por toda a cidade. Kobane já estava sob embargo. Agora isso trouxe de volta décadas atrás. O público internacional precisa ver a situação de Kobane, a situação de seu povo e da cidade. Caso não forneçam suporte, então a situação dos civis irá piorar. Pois uma grande parte das pessoas que deixaram Kobane está vivendo em tendas.”

Finalmente Hesen acrescentou ser necessário que todos apoiem a resistência, dizendo: “Eu estou renovando meu apelo aos jovens de Kobane para vir e se juntar à resistência ao lado do YPG/YPJ. Eu também ofereço as minhas condolências às famílias de nossos mártires e desejo uma recuperação rápida aos feridos.”

Tradução: A. Thomazini

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