Ouvindo Efrîn

Tradução: A. Thomazini

Revisão: Rafael V.

Ouvindo Efrîn

O seguinte artigo – “Efrîn’i duymak” – foi escrito por M. Ali Çelebi e apareceu em Özgür Gündem.

Pense num momento de sua infância, quando você já teve uma febre e como você ao fechar os olhos, tremia e gemia quando a febre não acabava, mesmo com todos os banhos quentes e toalhas frias. Ou pense num momento em que você bateu a cabeça contra algo duro, ou se você engoliu uma bateria e uma máquina de raio-x e foi rapidamente capaz de localizar a bateria e uma cirurgia a removeu de você antes do alcalino ou do mercúrio colocar a sua vida em risco. Agora pense em uma situação em que todos se mobilizam e correm com a criança para o hospital mais próximo apenas para ouvir que a máquina de raio-x ou tomografia está quebrada e não há nada que possa ser feito. E depois pense na desesperança causada por essa situação. Será que isso não rasgaria o seu coração e sua mente como uma navalha?

Este é exatamente o que no Cantão de Efrîn (Afrin) está sendo vivido, simplesmente por ter seu grito de guerra baseado numa filosofia democrática, na liberdade e na igualdade entre todos os povos. Em Efrîn, onde a ditadura Baath não presta serviços e não faz nenhum investimento na tentativa de destruir sua identidade, há apenas um hospital, e poucas unidades insuficientes de saúde. Eles dizem que não há máquinas de diálise, raios-x ou tomógrafos em Efrîn. Não há nem mesmo uma sala de parto. Os médicos estão trabalhando incansavelmente e sem egoísmo. Entretanto, você pode imaginar o que acontece com as famílias e médicos do momento em que alguém morre em decorrência de uma doença comum, devido à falta de recursos.

Isso significa que Efrîn está sendo punida com um embargo implementado pela Turquia, pois tomou medidas para determinar seu próprio destino em julho de 2012.

Efrîn tinha uma população estimada entre 500 a 600 pessoas, antes da revolução, mas tornou-se o destino de imigrantes que fugiram dos combates realizados em outras áreas. Estima-se que o número de pessoas que hoje vivem no cantão de Rojava chegou a um milhão e duzentas pessoas. Mais de 90% da população é curda Efrîn, cerca de 10% árabe. Dentro da cidade há apenas uma aldeia Alawita árabe. Todos os povos do cantão participam juntos na administração e nas organizações locais. Há um jornal semanal, que serve como a voz da cidade. Porém, os poderes que os cercam, com a sua mentalidade colonialista, implementaram um embargo através de seus procuradores locais, com o intuito de destruir os projetos alcançados aqui e então, enviam seus representantes para atacar. Enquanto a Turquia controla a fronteira com Efrîn, as áreas em torno de Azaz e Aleppo estão sob controle de grupos jihadistas e sob as forças de Assad.

O portão da fronteira de İslahiye deve ser aberto:

A Turquia, que está a implementar o embargo, impedindo a abertura dos portões da fronteira de Efrîn para Antep-İslahiye (área ao redor da estrada de ferro abandonada) e desenvolver relações econômicas e políticas com o Governo do Cantão em Efrîn (o presidente Hevi Mistefa, ministro das Relações Exteriores Sileman Cafer e vice-chanceler Cihan Mihemmed) chegaram à Ancara. De lá, foram para Istambul e se reuniram com organizações da sociedade civil no restaurante Cezayir [no distrito de Beyoğlu, em Istambul]. Eles explicaram como a mentalidade discriminatória desconsidera por completo a vida humana. Hevi Mistefa queria o apoio dos representantes das organizações da sociedade civil nas quais ele se dirigiu a fim de realizar a abertura do portão da fronteira e acabar com o embargo.

Aqui estão os pontos de bala da fala de Hevi Mistefa:

– Com a chegada dos refugiados, a população dobrou. É difícil para nós lidarmos com isso.

– Não temos conseguido fazer a voz de Efrîn ser ouvida. Falta-nos apoio externo. Há um embargo imposto contra nós. Nosso povo está pagando o preço. Eles vivem em condições muito difíceis. Não há quantidade suficiente de mantimentos necessários.

– O Portão da fronteira deve ser aberto. Em particular, há a necessidade de ajuda médica. Nossos suprimentos estão muito limitados. Medicamentos não são facilmente acessíveis. Somos forçados a consegui-los através do contrabando. O preço é o dobro.

– Efrîn possui terras muito férteis. Há azeitonas e todos os tipos de frutas. Estamos tentando desenvolver cooperativas.

– Em Rojava, curdos, árabes, sírios, Yezidis, alauítas e sunitas encontraram uma vida em comum. Todas as religiões e grupos podem expressar-se, tanto quanto os curdos.

– Há atualmente uma Síria, na qual, irmãos estão se matando e há destruição e pilhagem. Nós não somos parte desta guerra, mas quando somos atacados, somos obrigados a nos defender. Vamos nos proteger e aos ganhos conquistados através de nosso próprio trabalho e do sangue de nossos mártires.

Nossa fé no YPG e no YPJ é interminável – nada é esperado da Turquia? O que se deseja é que o regime Baath se comporte de maneira diferente e que tomem a irmandade dos povos como seu principal intuito. Ou será que tal realidade está em ruínas e tal retórica beira o ridículo. Ou será que “Nós vamos estar ao lado dos oprimidos… Nem esqueceremos Jerusalém nem Jerusalém se esquecerá de Istambul” (como dito pelo PM Ahmet Davutoglu, em 09 de novembro no TRT Haber). E para quem suas palavras realmente valem? Não se deve esquecer que a Turquia é tão responsável como o regime Baath por cada morte ocorrida em Efrîn devido à falta de suprimentos médicos básicos.

 

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Um comentário sobre “Ouvindo Efrîn

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