Mulheres curdas anunciam novas academias para mulheres árabes lutarem contra o ISIS na Síria

Texto original no The Independent.

Porta-voz das Unidades de Proteção Feminina (YPJ) diz que retomar Raqqa do ISIS será para “vingar todas as mulheres”

As Unidades de Proteção Feminina (YPJ) na Síria está ao mesmo tempo aumentando sua operação para incluir mulheres árabes que querem se juntar a luta contra o ISIS e avançando no ataque militar a capital dos extremistas em Raqqa no ano de 2017, uma porta-voz disse.

“Como mulheres do YPJ, nós objetivamos não apenas a libertação do ISIS mas também a libertação da mentalidade e do pensamento,” a porta-voz do YPJ Nesrin Abdullah anunciou.

“Guerra não é apenas a libertação de terra. Nós também estamos lutando pela libertação da mulher e do homem. Se não, o sistema patriarcal irá prevalecer mais uma vez,” ela disse em uma longa entrevista com a agência de notícias curda baseada em Amsterdam Firat.

A maioria dos lutadores das Forças Democráticas Sírias (SDF) começaram uma operação apoiada pelos EUA para retomar a cidade de Raqqa no norte da Síria em novembro, sincronizada para acontecer junto com o ataque a outra fortaleza urbana remanescente do ISIS em Mosul no vizinho Iraque.

Em 2016 a participação das mulheres na luta cresceu muito; disse Abdullah, com a formação de diversos novos conselhos militares projetados para encorajar a participação de árabes e yazidis livres por toda Síria e Iraque.

Em Manbij em particular, residentes femininas foram tão inspiradas pelas guerrilheiras do YPJ que ajudaram a libertá-las que criaram seu próprio batalhão feminino para retomar a cidade vizinha de al-Bab.

Duas unidades já completaram o treinamento para batalha dentro do guarda-chuva das Forças Democráticas Sírias (SDF), Abdullah disse, e tanto uma academia de treinamento militar e uma instituição acadêmica estavam sendo preparadas para 2017.

“O povo árabe era residente predominante nas áreas libertadas. Eles ficaram impressionados quando viram que as mulheres participavam nas questões militares e tiveram papel de liderança nas batalhas. Isto teve importantes consequencias….. De Shaddadi a Manbij, muitas mulheres se juntaram a nós,” ela diz.

O YPJ ganhou muita experiência de batalha em 2016, Abdullah acrescentou, que está sendo transformada em “consciência acadêmica.”

O treinamento que as mulheres recebem cobre muitos campos, incluindo história e filosofia feminista.

“Isto porque o YPJ não é uma força bruta de luta, mas a força de uma consciência social, cultural e moral. Mulheres que se descobrem entram nessa luta,” disse a porta-voz.

Os resultados são as mulheres confiança, empoderando-as para tomar suas próprias decisões a tomar um “papel ativo, mobilizado e intelectual” na luta contra o ISIS sem depender de homens, ela acrescentou.

Lutadores curdos na Síria conseguiriam expusar tropas do governo no início da guerra civil, estabelecendo suas própria administração democrática e relativamente pacífica em Rojava apesar do caos que tomou boa parte do país desde então.

O presidente sírio Bashar al-Assad é visto como capaz de derrotar os rebeldes sunitas remanescentes agora que a maré da guerra virou a seu favor seguinto a queda de Aleppo.

Enquanto permanece de fora das conversas de paz, os oficiais de Rojava permanecem esperançosos que continuarão se autogovernando, apesar da oposição da vizinha Turquia.

“2017 será o ano final [da guerra] tanto militarmente e politicamente. Mesmo se uma solução não for alcançada, as condições para a solução serão criadas. O YPJ sempre apoiará uma solução pacífica e democrática,” Abdullah disse.

Com os ventos da guerra baixando ou não, o YPJ planeja duplicar ou triplicar sua força, ela adiciona: “Existe a possibilidade que as contradições e lutas se aprofundem. Devemos aumentar nossa força.”

Traduzido pelo Comitê de Solidariedade à Resistência Popular Curda.

 

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