As deputadas mulheres do HDP estão em greve de solidariedade à greve internacional de mulheres

Declaração feita pela Deputada Colíder do nosso Grupo Parlamentar e MP (membro do parlamento) de Istambul, a senhora Filiz Kerestecioğlu, afirmando que as mulheres deputadas do HDP participarão da greve global das mulheres no 8 de Março:

Caros Membros da Imprensa, O 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, se aproxima. Este ano, há um movimento muito maior pelo mundo todo, quando comparado com os anos anteriores.

A Turquia tem sido sempre uma terra de luta para nós, as mulheres. Nós sempre lutamos para sobreviver, para ter educação, para ir às escolas que queremos, para perseguir nossos direitos pelo trabalho invisível que desempenhamos nos ambientes domésticos, para existir nas ruas nas quais os homens podem vagar livremente e para nos livrar de políticos que tiram proveito de nossos corpos para seus próprios objetivos políticos. Nós nunca pudemos nos dar ao luxo de deixar as ruas vazias. Hoje, mulheres estão se preparando para encher as ruas no 8 de Março por todo o mundo. Um grande número de mulheres se juntaram para anunciar uma greve geral no 8 de Março com a força que elas ganharam desde que milhões tomaram as ruas depois da eleição de Donald Trump, que é famoso por suas palavras e atos de hostilidade contra mulheres.

A eleição de Donald Trump como presidente foi, na verdade, somente um sintoma de problemas maiores. Direitos de trabalhadores e de mulheres estavam sendo destruídos pouco a pouco; racismo, xenofobia, nacionalismo e militarismo estavam se espalhando pelos Estados Unidos. Mulheres nos EUA clamaram um forte “Chega!” e se juntaram àquelas que organizaram greves poderosas na América Latina, Polônia e Itália. A demonstração contra a violência masculina na América Latina, o direito ao aborto na Polônia, as demonstrações pelos direitos reprodutivos na Coréia do Sul e Irlanda, e a marcha espetacular na Itália, em 26 de novembro, já tinham acendido o pavio.

Mulheres polonesas fizeram greve em 60 cidades em outubro contra a lei que proibiria o aborto (até mesmo em condições que ameaçassem a vida) e proporia prisão para quem a violasse. Os estudantes boicotaram as escolas, as donas de casa saíram e se recusaram a fazer trabalhos domésticos, alguns restaurantes e locais de trabalho deram apoio solidário e fecharam as portas. O projeto de lei foi finalmente suspenso por conta das lutas dessas mulheres.

Depois que um grande número de mulheres na Argentina foram torturadas e assassinadas, as mulheres saíram para as ruas sob a bandeira “Ni Una Menos” (“Nem uma a menos”), através da qual elas queriam dizer que “elas não perderiam nenhuma outra mulher”.

As mulheres na Itália se juntaram a elas e, em italiano, diziam “Non Una Di Meno”.

Neste 8 de Março, até agora, mulheres em mais de 50 países deram o primeiro passo para organizar uma greve internacional contra a violência masculina e para defender seus direitos ao aborto. Mulheres de diferentes países do mundo farão greve por 24 horas durante o Dia Internacional das Mulheres. Nesse dia, as mulheres não irão ao trabalho, não irão limpar ou fazer compras. Elas vestirão vestidos preto e roxo para apoiar a greve.

Hoje , mulheres ao redor do mundo estão se juntando contra a violência policial, guerras e políticos misóginos para defender seus direitos e liberdades. Dessa vez a fúria das mulheres é realmente grande. Uma revolta feminista anticapitalista está emanando contra os ataques políticos, culturais e econômicos atribuídos a mulheres Muçulmanas, imigrantes, trabalhadoras e desempregadas, mulheres de diferentes identidades étnicas, lésbicas ou com identidades transgêneras.

Mulheres da Turquia também se juntaram em diferentes cidades, na semana passada, e se uniram ao coro. Elas chamaram as mulheres para o 8 de Março.

Na Turquia, várias associações de mulheres, unidades e abrigos de mulheres têm sido fechadas recentemente por decretos de leis que seguem a proclamação de regime de Estado de Emergência em 20 de Julho de 2016. Essas instituições tinham um papel vital na prevenção de violência contra mulheres, na ajuda para mulheres defenderem seus direitos e se empoderarem na esfera pública.

A Turquia é um país cujas instituições varreram para debaixo do tapete a questão da violência contra as mulheres – por exemplo – estabelecendo Comissões de Divórcio ou Centros de Aconselhamento Familiar ao invés de Centros de Mulheres. Todos os tipos de assédio, estupro, exploração de mulheres imigrantes são vistos como ‘natural’ na Turquia; Jessica e Violet, que vieram para esse país com esperança, foram terrivelmente assassinadas lá.

Enquanto conseguir um diploma e ter uma profissão é uma verdadeira batalha, mas também uma liberdade em si mesma para as mulheres desse país; um enorme número de mulheres foram demitidas de suas profissões por causa dos decretos de leis. Mulheres acadêmicas e mulheres com títulos acadêmicos importantes em estudos sobre mulheres vem sendo demitidas de suas posições.

Contra tudo isso e contra a ameaça de guerra civil, dado o aumento da violência e operações nas fronteiras, as mulheres na Turquia se unem hoje para defender igualdade, justiça, paz e um futuro maravilhoso. Elas dizem que não renderão sua boa vontade diante do ódio, elas não renderão suas amizades perante a hostilidade e elas não confiarão suas vidas a ‘homem nenhum’.

Nós acreditamos que as mulheres, que mudaram o curso da história muitas vezes, levantarão novamente suas vozes e vencerão o desafio de virar a face da Turquia na direção da paz e da justiça uma vez mais.

Enquanto isso, nós, as mulheres deputadas do Partido Democrático dos Povos, decidimos levantar essa voz, pela primeira vez, de dentro de um parlamento. Nós levamos essa greve para o parlamento e a nossa luta para as ruas. No 8 de Março, todas as deputadas mulheres do nosso partido estarão com mulheres em diferentes cidades e pararão de trabalhar na Assembleia Geral. Nós batalharemos até que todos os líderes mundiais abandonem suas políticas misóginas, até que eles ofereçam plano de saúde gratuito para todas as mulheres, incluindo o direito ao aborto, até que eles construam uma política efetiva contra o abuso sexual de mulheres, violência sexual e todas as formas de violência! Nós abandonamos o trabalho parlamentar no 8 de Março! Nós sabemos que o mundo está em crise, mas nós nos recusamos a sermos vítimas dessa crise!

Filiz Kerestecioğlu
Partido Democrático dos Povos
Deputada Colíder do Grupo Parlamentar
1 de Março de 2017

Tradução: Olívia Klem Dias e Luiz Rodrigues da Silva.

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