Congresso Nacional do Curdistão: Unidade é vida, a dispersão é morte

Tradução: Lucas Gomes

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A 19ª Assembléia Geral do Congresso Nacional do Curdistão (KNK) foi realizada no momento em que o Estado turco lançou uma operação de aniquilação contra o povo curdo do norte e leste da Síria.

Em seguida, publicamos a declaração do KNK:

O Curdistão Ocidental (Rojava) é novamente submetido à invasão turca. Jarablus e Azaz não foram suficientes, e o Estado turco ocupou Afrin. Ele também não parou por aí, agora quer ocupar Serêkaniyê e Girê Spî, onde intensos ataques aéreos e terrestres transformaram a vida das pessoas num inferno. Seu objetivo é muito mais amplo: a intenção é ocupar todo o Curdistão ocidental. Se eles atingirem seu objetivo, não há dúvida de que o segundo plano desse Estado bárbaro é a ocupação do Curdistão do Sul (Bashur, norte do Iraque). De fato, eles estabeleceram muitos postos militares lá e começaram gradualmente sua operação de ocupação na área de Bradost.

O Estado turco não escondeu seu objetivo de eliminar o que os curdos alcançaram; Ele diz isso em voz alta e faz isso na prática. O Estado turco sob a liderança de Erdogan, na aliança conservadora e fascista do AKP-MHP, vem implementando a estratégia de ocupação militar dentro e fora do país. Erdogan apresenta o ataque a Serêkaniyê e Girê Sipî como um troféu islâmico. As organizações islâmicas devem condenar isso antes de qualquer outra.

Para desviar a atenção das condições críticas da Turquia em nível econômico, político e social, Erdogan, com seu aliado Bahceli, recorre à guerra. Eles representaram essa guerra como um esforço sagrado e religioso para obter o apoio de círculos religiosos conservadores. Juntamente com seus aliados, Erdogan abraçou o mundo totalitário, autocrático e ditatorial. Cada vez mais eles se afastaram do mundo democrático e pacífico e seguem agressivamente com sua política sangrenta.

Erdogan e Bahceli se uniram em torno do islamismo conservador e do racismo turco contra os curdos. Nesse contexto, eles ofereceram o cofre de seu país a autoridades estrangeiras e, com esse jogo sujo, querem eliminar os curdos. O estado turco, liderado pela Irmandade Muçulmana de Erdogan e pelo fascismo de Bahceli, deixou claro que eles são o maior inimigo dos curdos. Os massacres e o genocídio que cometeram contra os curdos durante o estabelecimento da República turca agora são muito piores. O que eles agora realizam sob a bandeira do Islã e do fascismo não se limita às fronteiras da Turquia, pois se estende à Síria e ao Iraque.

Enquanto a prática dos movimentos patrióticos curdos deixou claro que eles não serão capazes de alcançar seu objetivo desumano, no Curdistão Ocidental (Rojava) os curdos com outros grupos étnicos e religiosos, juntamente com seus parceiros internacionalistas, tornaram-se um grupo sólido e aumentaram a resistência, que ainda está crescendo. Da mesma maneira que derrotaram o Estado Islâmico – EI e seu reinado terrorista, derrotarão as forças turcas ocupantes e libertarão seu país.

Baseando-se em seu poder organizativo e com a ajuda dos povos e organizações democráticas e humanistas ao redor do mundo, os curdos expulsarão o exército turco ocupante, juntamente com seus grupos jihadistas aliados. Nesse momento emocionante da história de Rojava, nossa gente, dentro e fora do Curdistão, junto com os povos democráticos e humanistas de todo o mundo, ofereceu seu maior apoio ativo ao povo de Rojava e não os deixaram sozinhos. Particularmente no Curdistão do Sul, do Parlamento à Diretoria da região, dos partidos políticos às instituições civis, do povo comum à mídia, eles ofereceram seu forte apoio. Consideramos isso muito valioso e esperamos que essa mobilização em nível nacional abra o caminho para a unidade nacional e patriótica.

Nosso povo no Curdistão oriental e setentrional, e na dáspora, juntamente com seus amigos a nível internacional, projetou uma forte objeção, condenando da maneira mais enérgica a invasão de Rojava pelo Estado turco. Esta postura merece reconhecimento. Onde quer que esteja, nosso povo deve manter e fortalecer uma posição unida, nacional e patriótica. Se os curdos não se limitarem à retórica e perceberem esta posição nacional e patriótica na prática, eles podem evitar a política anti-curda do Estado turco.

Aqui, queremos identificar abertamente e em voz alta as posições e atitudes internacionais. Primeiro, vemos o cessar fogo como um passo positivo. Mas os poderes internacionais devem exigir a retirada da Turquia de todas as terras ocupadas e que interrompam sua agressão. Solicitamos que um mecanismo internacional desempenhe um papel de controle. A União Européia – UE e as Organização das Nações Unidas – ONU em particular deveriam desempenhar esse papel. Eles deveriam exigir da Turquia que interrompa sua invasão sem barganha. Neste processo, as Forças Democráticas da Síria – FDS aderirão ao cessar fogo desde que não sejam atacadas pelo exército turco. Também apoiamos a decisão das SDF.

Os Estados membros da UE, a liderança dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU, pediram à Turquia para parar a invasão. Esses esforços para o povo de Rojava foram uma posição afetiva. Estenderemos nossos agradecimentos e esperamos que eles apoiem a Rojva mais ativamente e que aumentem suas pressões econômicas e políticas sobre a Turquia para obter um resultado.

Esta é a primeira vez que a Liga Árabe adota uma posição clara contra o Estado turco, condenando sua invasão de ocupação, dando alguns passos urgentes, como a imposição de sanções. Nós valorizamos essa atitude muito e nos estendemos a graciosas. Além disso, a ONU e a Organização do Tratado Atlântico Norte – OTAN mostraram seu descontentamento com a invasão e enviaram uma advertência ao Estado turco, exigindo que ponha fim a sua invasão e ocupação. Também agradecemos por isso, esperando que seu apoio continue e aumente. Em particular, pedimos à ONU que desempenhe para o Curdistão de defesa contra seus ocupantes. Além disso, muitos países condenaram a invasão turca e declararam seu apoio aos curdos, especialmente ao povo de Rojava. Sua posição é muito apreciada pelo povo curdo. Valorizamos muito essas posições e agradecemos a todos.

Fazemos um chamado aos EUA para expressarem sua posição antiterrorista de maneira semelhante ao Estado turco, que não apenas apóia grupos jihadistas, mas também se tornou uma nova versão do EI. A passividade em relação a Erdogan só trará desastres para o Oriente Médio. Portanto, nossas demandas ao Congresso, ao Senado e à liderança estadunidense é a de não diminuir seu apoio ao povo do Curdistão e não liberar a força de Erdogan, que representa tudo o que é obscuro e negro sobre eles. Na luta contra o Estado Islâmico, os curdos, juntamente com os estadunidenses e outros aliados, mostraram ao mundo que estão lutando pela humanidade, democracia e paz. Também pedimos aos russos que usem sua influência na Turquia, incentivando-a a encerrar sua ocupação no Curdistão Ocidental.

Saudamos a resistência apresentada pelas Forças Democráticas da Síria, aos YPG, às YPJ e ao povo de Rojava. Nós valorizamos sua resistência. Apoiamos e estamos com eles. Sua resistência trouxe um amplo apoio e simpatia internacional. Isso é importante e muito valioso. Para evitar as operações da Turquia, apoiamos seus esforços diplomáticos, políticos e de defesa. Neste contexto, seu acordo com o regime sírio para acabar com a ocupação turca é uma decisão correta. Esperamos que as FDS e o governo de Damasco cheguem a um sólido acordo, com base na convivência democrática e pacífica.

Para concluir, lutar contra a brutalidade do Estado turco e suas forças de jihadistas aliadas, os curdos enfrentam uma resistência de vida ou morte. Nessa luta de vida ou morte, a unidade interna é VIDA, enquanto a dispersão interna é a MORTE. Portanto, mais uma vez recorremos a todas as entidades nacionais e patrióticas para forjar sua unidade nacional. Para este objetivo histórico e magnífico, fazemos um chamado às lideranças de todas as organizações políticas do Curdistão para uma conferência imediata onde discutir a questão atual e fornecer ao Curdistão e ao mundo a uma imagem unida.

A 19ª Assembléia Geral do Congresso Nacional do Curdistan (KNK), em que participaram seus membros e convidados, condena a invasão e a ocupação de Rojava pelo Estado turco. Também condenamos veementemente a inimizade da Turquia em relação aos curdos e solicitamos que retirem imediatamente suas forças do Curdistão do Sul e do Oeste.

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