Regime sírio retomará todas as áreas sob controle curdo, diz Bashar al-Assad em entrevista

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por Josie Ensor/The Telegraph
trad. Lucas Gomes

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que acabará por recuperar todas as áreas de posse curda do país, destruindo a esperança da minoria por independência.

Os curdos, no mês passado, aceitaram um acordo com o governo de Damasco que viu o exército retornar pela primeira vez desde os primeiros dias da guerra civil, depois que os EUA anunciaram a retirada de suas tropas.

A retirada dos EUA deixou aliados curdos sem proteção internacional contra uma ofensiva turca, forçando-os a fechar um acordo com o regime de Assad que lhe permitia assumir posições ao longo da fronteira.

Mas Assad indicou em entrevista transmitida na TV estatal na quinta-feira que o acordo com os curdos, que estabeleceram uma administração autônoma no nordeste da Síria em quase um terço do país, não era apenas militar.

“O destacamento do exército sírio é uma expressão da presença do Estado sírio, o que significa a presença de todos os serviços que devem ser fornecidos por ele”, disse Assad.

Assad admitiu que o retorno do regime seria “gradual e racional” e que “novos fatos no terreno” teriam que ser levados em consideração.

“Existem grupos armados e não podemos esperar que eles entreguem armas imediatamente, mas o objetivo final é voltar à situação anterior, que é o controle total do Estado”, afirmou.

As Forças Democráticas Sírias (FDS), comandadas pelos curdos, tem sido apoiadas há anos pelos EUA na luta contra o Estado Islâmico, recebendo financiamento e armas.

Como parte do acordo de cessar-fogo que a Rússia negociou com a Turquia, os FDS deporiam suas armas e recuariam 32 quilômetros da fronteira.

Assad disse que o acordo foi um passo “positivo” que ajudaria seu governo a alcançar esse objetivo.

“Talvez não consiga tudo (…) abre caminho para liberar esta área no futuro próximo, esperamos”, disse Assad, que permaneceu no poder em Damasco com a ajuda da Rússia e do Irã, poderosos apoiadores.

Mazloum Kobani, comandante das FDS, disse que o acordo com Damasco pode abrir caminho para uma solução política a ser elaborada mais tarde com o governo, que possa garantir o direito dos curdos na Síria.

Os curdos entraram em negociações com o regime em várias ocasiões ao longo dos anos.

Ele já havia recusado concessões, incluindo o reconhecimento da língua e da identidade curdas, negadas pelas políticas nacionalistas árabes da família Assad.

Fontes próximas ao governo indicam que ele pode estar disposto a ceder a algumas demandas curdas, incluindo a garantia de seus direitos na nova constituição síria, embora ela fique muito aquém da autonomia.

Especialistas dizem que a perda dos territórios de posse curda para ao regime se tornou quase certa.

“Por enquanto, o governo respeitou o acordo e a presença curda, mas, uma vez terminada a ameaça turca, voltará ao seu modo antigo de lidar com questões domésticas” disse Danni Makki, analista independente da Síria em Damasco, ao The Telegraph.

“Isso significa que a autonomia curda no norte da Síria está essencialmente acabada”.

Aron Lund, membro da The Century Foundation, disse que “a bolha das FDS estourou”: “Cedo ou tarde, as cidades curdas no interior do nordeste vão cair sob seu domínio novamente. Isso significa agricultura, usinas hidrelétricas, fronteiras”, previu.

O futuro dos lucrativos campos de petróleo atualmente sob controle das FDS no leste é incerto, no entanto.

Embora eles viessem a ser um grande benefício para o governo, que dependeu de Teerã para grande parte do seu petróleo nos últimos anos, os EUA enviaram centenas de soldados de volta à Síria na semana passada para protegê-los.

Assad disse que respeitava a “transparência” do presidente Donald Trump em suas propostas por petróleo no Oriente Médio, uma qualidade que faltava em seus antecessores, afirmou.

“Ele é o melhor presidente americano, não porque suas políticas são boas, mas porque ele é o presidente mais transparente”, afirmou.

“Todos os presidentes americanos (…) se projetam como defensores dos direitos humanos e dos únicos e nobres valores americanos. A realidade é que eles são um grupo de criminosos que representam os interesses dos lobbies americanos, ou seja, das grandes empresas de petróleo, armas e outros.”

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