Informe sobre a resistência curda – setembro de 2018

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Esse informe vai ser um pouco diferente dos outros, porque é preciso entender a situação da crise econômica internacional para contextualizar.

Uma parte importante dos analistas prevê que a próxima crise mundial vai começar no segundo semestre de 2018 ou em 2019. Os dois maiores “candidatos” a estopim da crise são a Argentina… e a Turquia.

Sobre a Argentina, uma boa sugestão de leitura é essa aqui. Sobre a Turquia, para resumir: o Erdogan sofreu uma tentativa de golpe em 2016, provavelmente organizada por islamistas moderados* pró Estados Unidos do movimento do líder Fetullah Güllen. Güllen era aliado do Erdogan, mas passou para a oposição quando o partido do Erdogan, AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento), começou a ter um controle cada vez maior sobre o Estado.

Bem, o Erdogan derrotou o golpe, e reprimiu não só o movimento do Güllen como todos os setores da oposição turca e curda. Ao mesmo tempo, para ganhar popularidade, tomou várias medidas para liberar crédito para a população, o que deu uma melhorada na economia.

Só que esse tipo de medidas têm uma curta duração, e se esgotam se não forem acompanhadas de crescimento na produção. É o que está acontecendo agora, e isso está provocando uma desvalorização da moeda turca, a lira, o que teve reflexos até na votação do Erdogan nas eleições de junho. A gota d’água foi a elevação das tarifas de importação do aço e do alumínio da Turquia para os EUA, feita pelo Trump, como parte da sua política protecionista. Depois disso, a economia turca entrou em crise. Mais informações aqui.

E o que isso tem a ver com os curdos?

Numa crise econômica, existe uma tendência à maior radicalização das lutas populares por salários e demais condições de vida. A instabilidade do governo, junto com a existência de um forte movimento de libertação nacional do povo curdo e um crescimento das forças populares turcas (como o Partido da Democracia Popular, HDP, movimentos feministas etc), pode fazer a maioria do povo ir para a oposição ativa ao Erdogan. Então, existe a possibilidade real de uma luta de massas contra ele.

Na Síria

A situação em Afrîn continua muito instável, como explicamos no informe anterior. Os curdos têm denunciado várias violações dos direitos humanos pelos invasores turcos.

Além disso, existe a possibilidade de uma ofensiva do Assad em Idlib, que é a última região ainda fora de controle do regime. O pretexto seria a grande influência de organizações fundamentalistas na região (como a HTS, Organização pela Liberação da Síria), dentro do discurso e da prática da “guerra contra o terror”. A população de Idlib tem protestado contra essa possibilidade de invasão, que seria desastrosa para os civis, mas infelizmente tem muitas ilusões no discurso de Erdogan de apoio ao povo sírio.

Iraque e Irã

No Iraque, depois da vitória de setores de oposição laicos e xiitas nas eleições parlamentares, existe uma grande indefinição sobre o mandato que vai começar no dia 3 de setembro. A indefinição está favorecendo grandes protestos contra a corrupção e o sectarismo**.

No Irã, a situação é de espera, depois da repressão aos protestos de janeiro e do movimento das mulheres contra o véu. O PAJK (Partido da Vida Livre do Irã), partido irmão do PKK, está aguardando os acontecimentos nos outros países do oriente médio.

O que nós podemos fazer?

Mais uma vez, pedimos que todos divulguem nosso blog, a nossa páginanova e que doem para o Crescente Vermelho Curdo.

*Chamamos de islamistas moderados os setores que querem manter um regime democrático parlamentar, mas com várias leis de inspiração islâmica. Eles se diferenciam dos fundamentalistas, que querem substituir a democracia parlamentar por um regime islâmico. Um movimento parecido com os islamistas moderados no Brasil seria a bancada evangélica.

**No contexto político do oriente médio, sectarismo é o favorecimento político à população da mesma religião ou mesma seita do Islã (sunitas, xiitas etc).

Resistência é Vida!

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